Cables
telegráficos e imperialismo europeo en el Noroeste de África, 1880-1914
Javier
Márquez Quevedo (Universidad de Las Palmas de Gran Canaria)
La primera cuestión que tratamos de
abordar en este trabajo es la de por qué la importancia de los cables telegráficos
en la esquina noroccidental africana durante el período del imperialismo
colonial. La respuesta parece evidente en esa necesidad de conectar colonias y
metrópolis, si bien las implicaciones económicas, políticas, estratégicas y
tecnológicas son más complejas de lo que en un principio parecieran.
Los archipiélagos atlánticos, más
concretamente los de la Macaronesia hispano-portuguesa, se convirtieron en
puntos estratégicos imprescindibles para la profundidad atlántica de los cables
submarinos. El hecho es que se estaba conformando una red transcontinental que
unirá Europa, África y América, lo que aún conformaba el primer espacio
geopolítico mundial.
Así pues, la rivalidad imperialista
europea tuvo en el intento de monopolio de los principales cables submarinos un
nuevo argumento para manifestarse. Con ello, las implicaciones políticas y
económicas de esta nueva tecnología de las comunicaciones se insertaron
plenamente en la escalada de la tensión prebélica. Una especie de guerra fría
diplomática que alcanzó su cenit entre 1905 y 1909.
El control de los cables y el
monopolio tecnológico fue una cuestión de primer orden que se discutió al más
alto nivel político en Londres, París o Berlín. Su importancia, o su
valoración, no fueron ajenas a la conformación de la Entente Cordiale de 1904,
a la crisis marroquí de 1905, la Conferencia de Algeciras de 1906 o los
Acuerdos Mediterráneos de 1907.
Telegraphy
and the Psychology of Technological Change
David
Hochfelder (University at Albany, SUNY)
Historians of technology have yet to understand how
new, disruptive technologies affect users’ behavior, perception, and
expectations. This is understandable–it is far easier to describe how
technologies affect businesses, governments, and other large-scale institutions
than it is to analyze their psychological effects on individuals. However, I
argue that it is possible, desirable, and even necessary to do so. Our
understanding of the relationship between technological innovation and social
change remains incomplete without the psychological dimension.
Communication technologies are especially significant
in this regard. As the term “media” suggests, they mediate experience more
directly than other classes of technology. In this paper, I use two episodes
from the history of telegraphy in the United States to suggest approaches to
studying the psychological dimension of new communication media.
From its inception in 1844, the telegraph was
well-suited for rapid newsgathering.
Historians have long acknowledged that the telegraph
changed the production of news through wire-service newsgathering, but we have
devoted little thought to how telegraphy changed patterns of news
consumption. During the Civil War
(1861–1865) crowds routinely gathered around telegraph and newspaper offices to
await the latest dispatches from battles in progress. Telegraphic reporting during the war not only
created a modern sensibility about timeliness and newsworthiness, but it also
engendered an anxiety about the news—a compulsion to obtain it quickly and
often.
Just as the telegraph changed the business of
newsgathering, so did it reshape the nation's financial markets. The stock
ticker, invented in 1867, allowed brokers to monitor markets at a distance from
exchange floors. Within a few years, the ticker changed exchange operations,
recast relations between brokers and customers, and transformed the overall
structure of the nation's financial markets. The ticker also reconfigured the
psychology and geography of financial markets. Traders came to regard markets
less as places to exchange tangible goods and more as the flow of ticker
quotations posted on blackboards in distant offices. Just as significantly,
active traders experienced an addictive compulsion to monitor the ticker
closely.
To fully understand the
impact of a technology like telegraphy, we must pay greater attention to the
psychology of disruptive change. I hope that my contribution here will help us
to integrate the psychological with
the social, cultural, and
economic dimensions of technological change.
O
telégrafo e a interacção complexa entre tecnologia moderna e processos sociais
- perspectivas das ciências da comunicação
José
Luís Garcia (Instituto de Ciências Sociais, UL) e Filipa de Brito Subtil
(Escola Superior de Comunicação Social, IPL)
Esta comunicação pretende salientar
a importância histórica do papel do telégrafo no projecto de ligar o mundo a
partir de uma perspectiva das tecnologias modernas da comunicação como força
que desencadeia consequências sociais, económicas e políticas. Cruzando estudos
oriundos da história e das ciências da comunicação, o telégrafo e a sua acção
são compreendidos no quadro do entrelaçamento entre os movimentos da tecnologia
e os processos sociais.
Muitas das investigações das últimas
décadas, como as de Carey (1992 [1983]), Flichy (1991), Mattelart (1996 [1994])
e Standage (2007) , têm-se esforçado – e bem – em não fazer apenas um trabalho
de história da técnica centrado na
narrativa da sua invenção e difusão, procurando antes ter em conta que
as opções tecnológicas carregam valores,
cultura e política e, simultaneamente, os valores, a cultura e a política
também se exprimem em formas tecnológicas.
Desenvolvendo a linha de raciocínio
anterior, começaremos por mostrar que se o telégrafo, enquanto manifestação do
projecto de ligar o mundo, jogou um papel importante na cultura da sua época
foi certamente por ser uma componente do mundo da tecnologia e por esta, como
parte da cultura, constituir uma dimensão muito celebrada da cultura moderna.
Concentrando depois a atenção no
facto de o telégrafo, ao libertar a comunicação dos constrangimentos da
geografia, ter concretizado um projecto muito antigo de comunicação à distância
que pode ser designado como um “modelo transmissivo”, evidenciaremos que aquele
foi um primeiro ensaio de uma rede técnica permanente para fins de comunicação.
Por fim, enfatizaremos que a
inovação do telégrafo se transformou num arquétipo para várias das mais
relevantes novidades das tecnologias da comunicação que têm determinado as
principais linhas de desenvolvimento da esfera comunicacional até aos nossos
dias.
Como produto do entrelaçamento entre
tecnologias e forças sociais, o telégrafo pode ser considerado o protótipo de
muitos impérios comerciais de base científico-tecnológica, um exemplo dos
conflitos de interesse para o controlo das patentes, um indutor de mudanças na
linguagem, nas estruturas de conhecimento e um catalisador de um pensamento
futurista e utópico das tecnologias da comunicação.
As
Exposições de Radio e Eletricidade (1927-1935)
Ana
Cardoso de Matos (CIDEHUS, Universidade de Évora) e Ana Malveiro (CIDEHUS,
Universidade de Évora),
Em 1926,
criou-se a Sociedade Portuguesa de Amadores de T.S.F., que no final de
Janeiro deste ano realizou a sua primeira assembleia-geral e elegeu os
diretores. Também em 1926, foi criada a Rede de Emissores Portugueses (REP),
por iniciativa de Eugénio Avillez, organismo que continuou as atribuições da
Rádio Academia e da Sociedade Portuguesa de Amadores da Rádio, e do qual eram
obrigatoriamente associados todos os rádio amadores. O primeiro posto particular de emissão radiotelefónica legalmente
autorizado entrou em funcionamento em Novembro de 1928 e pertencia ao Capitão
José Xavier de Velasco Celestino Soares.
Ao longo
da década de 1920 o aumento das emissões de radiotelefonia foi acompanhado pela
publicidade de novos aparelhos capazes de facilitar a recepção dessas
transmissões com maior clareza e começaram a surgir com maior frequência
anúncios de aparelhos que permitissem a um público mais alargado ouvir as
transmissões. Para este público a qualidade do som e o preço eram determinantes
na aquisição dos aparelhos. A estratégia das casas comerciais para incentivar a
compra passou, assim, por publicar anúncios em que não só se enumeravam as várias
qualidades dos aparelhos, como se inseriam imagens que estimulassem o seu
consumo, pois, a estética dos aparelhos a serem colocados em local de destaque
da zona de convívio das habitações passou a ser um elemento determinante na
escolha.
Com o
objetivo de divulgar os progressos da emissão radiotelefónica e dos diversos
aparelhos que permitiam a emissão e a recepção das transmissões, no
final dos anos vinte do século passado foram organizadas as primeiras
exposições de rádio. Realizadas em primeiro na Sociedade Nacional de Belas
Artes de Lisboa e depois no Pavilhão do Parque Eduardo VII estas exposições,
que se prolongaram para a década de 1930, foram iniciativas importantes para
uma maior difusão da radiodifusão no país.
Nesta comunicação pretende estudar-se
as 6 exposições de Radio e Eletricidade com o objetivo de perceber as razões da
sua realização, os promotores da sua organização, os objetos expostos e o
contributo que deram para o progresso e difusão da radiotelefonia.
O
acervo do Museu das Comunicações, fonte material para a história das
telecomunicações: o caso dos aparelhos de Bramão e Herrmann
Ana
Cardoso de Matos (CIDEHUS, Universidade de Évora) e Liliana Manuel Maia Pina (Museu
da Comunicações e CIDEHUS, UE)
Na segunda metade do século XIX
registaram-se importantes progressos a nível das comunicações, nomeadamente nos
diversos tipos de aparelhos telegráficos. Como intuito de formar técnicos que
lidassem com este tipo de aparelhos foram criados cursos específicos na maioria
dos países europeus. Por outro lado, a difusão dos avanços e modernização da
telegrafia e dos telefones foi facilitada pela circulação de livros técnicos e
periódicos ligados com esta área e pela realização de Exposições Universais, em
que eram apresentados os mais modernos aparelhos e máquinas que se desenvolviam
a nível internacional. Tanto estas exposições como as viagens de estudo, a
participação em Congressos internacionais ou a publicação de periódicos,
favoreceram a criação de redes nas quais circulavam conhecimentos, ideias e
pessoas.
Portugal não ficou afastado deste
movimento e criaram-se cursos de telegrafia ligados ao exército e mais tarde ao
Instituto Industrial de Lisboa. Simultaneamente os técnicos portugueses
deslocaram-se às exposições Universais para conhecer o que de mais moderno era
apresentado ou expor as inovações que iam sendo feitas no país. Refira-se, como
exemplo, o caso dos vários telégrafos Bramão que foram apresentados na
Exposição Universal de Paris de 1878.
O espírito inovador de alguns
personagens que operavam no sector das comunicações, normalmente funcionários
dos serviços telegráficos e telefónicos, permitiu introduzir em Portugal o
desenvolvimento tecnológico registado a nível internacional no âmbito das
telecomunicações, bem como transformar alguns equipamentos com vista a melhorar
o seu funcionamento.
Muitos dos aparelhos telegráficos
que foram sendo adquiridos no estrangeiro ou construídos em Portugal integram
hoje o espólio do Museu das Comunicações, criado em 1997. Este museu tem a sua
génese na Direção Geral dos Correios em 1877, altura em que ao mesmo tempo que
se apostava nos progressos das comunicações parece ter havido a ideia de
começar a guardar a memória deste sector e constituir um Museu. Atualmente, o
acervo do Museu é composto por peças e documentos resultantes da atividade dos
correios e das telecomunicações. Uma parte deste acervo diz respeito à evolução
das telecomunicações a partir do início do século XIX, sendo, por isso, uma
importante fonte material para o seu estudo. A sua análise pode trazer novos
contributos para o conhecimento das inovações técnicas introduzidas nestes
equipamentos e da ação dos técnicos ligados com este sector.
Entre os muitos casos de inovação
registados em Portugal na segunda metade do século XIX, destacamos os objetos
do acervo do Museu que testemunham as invenções/inovações de Cristiano Augusto
Bramão e de Maximiano Augusto Herrman. Estes objetos apresentados em Exposições
Universais, divulgados em vários periódicos nacionais ou estrangeiros, e
utilizados nas comunicações em Portugal são importantes fontes de investigação
para a História das Telecomunicações em Portugal ao longo do século XIX.
Os
Açores a ligar o mundo: do Cabo Telegráfico do século XIX à TSF da I metade do
século XX
Sérgio
Resendes (Universidade dos Açores)
Desde
os primórdios da humanidade que a comunicação foi um factor básico e fulcral
para o desenvolvimento da raça humana. Possivelmente a sua origem estará
relacionada com a necessidade de socialização por intermédio da alimentação
(sobrevivência), rituais de acasalamento e defesa (ou socorro) perante a
inevitabilidade de um conflito pelo domínio do território, estrutura básica de
vida das sociedades humanas. Nos Açores, esta necessidade de comunicar é muito
antiga e variada, conforme as diferentes realidades: das autoridades
administrativas às diferentes povoações; da defesa militar ao longo da orla costeira; da comunicação destas
autoridades para com os barcos que nos visitavam ou mesmo para alertar para
possíveis infortúnios em terra, principalmente à noite, quando as ilhas
representavam a morte, absorvidas no seu no manto escuro. A este propósito,
será de referir que os primórdios das comunicações modernas em Portugal surgem
na contemporaneidade, claramente associados às estruturas militares do Exército
e da Marinha. Durante séculos isolados, apenas dependentes da correspondência a
regular, via “postal” (mala) com o continente do reino, este isolamento
terminaria em 1893 com a implantação do cabo telegráfico que faria a ligação
entre as duas margens do Atlântico, quebrando apenas o isolamento das
principais grandes ilhas. A telegrafia sem fios serviria para a realizar com as
restantes, quebrando-se o seu tradicional isolamento. Numa era de globalização,
de comunicações feitas em tempo real e a velocidades hoje em dia, ciclópicas,
quando comparadas com as de 1893, nunca será demais lembrar as origens deste
processo, reflexo da revolução industrial e da nova mentalidade da Idade
Contemporânea nos Açores, ilhas isoladas e esquecidas no Atlântico Norte mas
simultaneamente, centro de experiências da modernidade dos diferentes tempos
históricos.